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Já todos nós ouvimos (ou se calhar até já dissemos) a célebre frase "Gravidez não é doença!"
E não é! É uma situação temporária, um estado de graça! Uns com mais graça do que outros, é verdade!

Mas aqui a questão que vos trago hoje é quando "nos" é conveniente fazer com que pareça doença ou algo grave (incluindo todas as pessoas estejam grávidas ou não)!

Não posso dizer que tive uma gravidez terrível, porque não tive. Tive algumas questões mais chatas como os enjoaos, as diabetes, anemia e assim mas questões facilmente controláveis com medicação ou alguns cuidados extra na alimentação. Não tive necessidade de parar de trabalhar, nem de repouso, nem pernas inchadas, problemas com tensões ou outras situações que exigissem "abrandar o ritmo" ou até de repouso absoluto. Sempre me senti com força e com vitalidade para fazer tudo como antes até ao fim.

Há uns tempos chamaram-me para um trabalho de dois ou três dias que não eram seguidos mesmo sabendo que eu estava grávida. Achei essa atitude de louvar! Mesmo apesar de faltarem umas semanas para a data prevista para o parto (entre as datas do trabalho e a data do parto) aceitei! Já fiz esse tipo de trabalhos várias vezes, sei bem o que ele exige tanto a nível físico, como a nível emocional. Quando o aceitei, aceitei-o por ter em consideração todas as questões, sendo as mais importantes: Quais os riscos associados? (tanto para mim enquanto grávida, como para a bebé, como para a empresa em questão) e Como eu me sinto?! E não... EU NÃO ME SENTIA DOENTE!

Qual não é o meu espanto quando me ligam para o desmarcar exatamente pela razão de eu estar grávida! Porque a criança podia nascer a qualquer momento, porque podia-me dar qualquer coisinha má, porque não se podiam comprometer com uma situação tão delicada quanto esta, etc e tal...

Naquele momento fiquei apática, quase sem reação! Lembrei-me do meu mês de Dezembro que trabalhei dias a fio, muitas das vezes sem folgar, dei formação, trabalhei até à meia noite, fiz imensos Kms, andei para trás e prá frente numa correria típica do mês do natal, num frenezim que nunca mais terminava e, mesmo sendo um mês intenso, sempre me senti bem!
Percebi que ali não podia fazer mais, que a decisão estava tomada e que não havia volta a dar. Mas esta situação deixou-me triste, frustrada e, acima de tudo, revoltada!
Mas alguém ia ser muito inconsciente ao ponto de pôr qualquer um dos 3 em risco se não se sentisse bem?se não se sentisse confortável? se não se sentisse capaz? Mas alguém era maluquinha a esse ponto?

NOTA- Este post estava escrito e guardado nos rascunhos até que decidisse partilhá-lo.
 Toda a gente sabe que a água é essencial para qualquer um de nós, que traz imensas vantagens para a nossa saúde, imensos benefícios para a nossa pele e, claro que tinha de falar aqui, para o nosso bebé (no caso de quem está a passar por uma gravidez).

Eu era a pior pessoa para beber água. Ao longo do ano, sobretudo nos meses mais frios, não sentia falta, não sentia sede por isso não tinha por hábito beber água. Quando engravidei, os cuidados passaram a ser outros e as necessidades também.

Tive de fazer um esforço grande para incluir a água na minha rotina. Só por saber que tenho uma bexiga pequena e por ter de passar o dia todo fora de casa já era um motivo para não agarrar numa garrafa de água antes de sair de casa. Depois arranjava sempre a desculpa da garrafa de água de litro e meio ser muito grande e pesada para andar na carteira aliada a todas as outras que considerasse válidas. Até que fui "obrigada" pela minha médica.

Concentrei-me a arranjar estratégias para conseguir beber pelo menos 1.5l de água por dia:

  • Escolher o maior copo que tiver no armário (que leva cerca de meio litro)
  • Beber 1 copo de água desses SEMPRE ANTES de sair de casa (assim já só faltavam 2)
  • Se ficasse em casa, o copo e o jarro (de 1.5l) andavam sempre comigo, na sala, no quarto, na cozinha... como se fosse um lembrete
  • Comprometi-me a sempre que cruzasse o meu olhar com o copo a beber uns goles
  • Nunca o deixava vazio. Se estivesse a meio ou a chegar ao fim voltava a enchê-lo.
  • Se saísse de casa levava comigo uma garrafinha de água de 0.75l ou 0.5l comigo e obrigava-me a bebê-la antes da hora de almoço.

Ou seja, até à hora de almoço já tinha de ter bebido 1 litro!

  •  Quando essa garrafa acabasse, arranjava logo outra para me acompanhar.
No início custou um bocadinho, não vos vou mentir! Às vezes parecia que que tinha bebido água a mais e sentia um peeeesooo no estômago que nem é bom lembrar. Depois o tempo foi aquecendo e o verão ajudou-me muito nessa tarefa. Cheguei a beber 3 litros de água nos dias muito quentes. Quando o tempo arrefeceu, as dificuldades voltaram e deixou de apetecer beber água, e até o sabor da água parece que já enjoava e me agoniava...


  • Substitui a água simples por água aromatizada com limão e agora no tempo frio o que me tem safado são os chás. Não consigo beber mais do que 1litro de chá por dia por isso vou intercalando uma caneca de chá com um copo enorme de água.
  • Ouvir elogios como "Estás com uma pele tão bonita!" ou "Estás igual" ou "Não engordaste nada! É só barriga!" confesso que também ajuda. Mas para os ouvirmos temos de nos obrigar a beber água e vai ser a recompensa do nosso esforço e dedicação.
No fundo a água passou a ser com o telemóvel, como a agenda, o casaco ou a carteira: passou a ser um item obrigatório para andar sempre comigo!

Espero que vos ajude a beber mais água ao partilhar as minhas estratégias convosco. Sabem que custa sempre introduzirmos novos hábitos, mas que no fim compensa sempre!
Durante quase 30 anos adoras café! O sabor, o cheirinho a café acabado de fazer, doces que tenham café, tudo!

Certo dia, depois do teu namorado ter tomado o seu café habitual e te perguntar qualquer coisa, a primeira coisa que fazes é: enrugar a testa, piscar os olhos com repúdio, afastar-te e dizer: 
"Que cheiro a café Luis...que nojo!" e corres para a casa de banho para ires vomitar.

E assim começaram as suspeitas de que talvez se estivesse a passar algo contigo: uma possível gravidez!

Se acham que houve pulos de alegria, sorrisos de orelha a orelha e foguetes imaginários, desculpem lá desiludir-vos, mas NÃO!
Confesso que nesse dia nem fiquei muito alerta, confesso que as suspeitas só se fizeram sentir uns dias depois, quase como se se tratasse de uma soma de vários acontecimentos que até então não eram "normais". E depois das contas feitas, faz-se o teste para se ter a certeza.

Nem deu positivo, nem deu negativo. Claro que estas coisas tinham de ter emoção. Por isso, quanto mais incertezas e dúvidas provocar, mais emocionante fica a história, não é verdade? (Tinha de haver suspense.)

Não descartamos a possibilidade de estar grávida, mas também não festejamos que nem loucos. Há que conter os ânimos...afinal, não havia certezas de nada!

Próximo passo: ir ao médico!
Entrei no consultório, o médico de serviço não tira os olhos do computador enquanto me pergunta o que me dói e do que me queixo. Só consegui chamar a atenção dele quando lhe disse que não me doía nada, nem tinha intenções de me queixar de nada. O mundo dele parou por breves instantes. Percebeu que se calhar era melhor tirar os olhos do computador e  olhar para mim. Antes de pegar em qualquer coisa, "mediu-me" de alto a baixo com o olhar com uma das sobrancelhas levantadas e  perguntou "Então, porque veio à consulta?" ao que eu respondi: "Eu acho que estou grávida. Mas o resultado do teste não foi concreto!" Ele lá tomou as providências necessárias para que, praticamente naquele momento ficássemos com as certezas dum Sim ou dum Não. 

"É! CONFIRMA-SE! ESTÁ GRÁVIDA CARLA! ESTÁ MEEESMOO GRÁVIDA! 
ESTÁ SIM CARLA!"

Tenho estas frases como um eco na minha cabeça até hoje. O médico estava como que a festejar, a celebrar e a dar pulos de alegria só com a voz! Eu mantive-me como tinha entrado. Serena...ou...aparentemente serena e calma. Por dentro sentia-me a tremer. Não percebia o que estava a sentir. Não conseguia distinguir se aquilo era felicidade, se era medo, gritos de alegria em mute ou pânico. Provavelmente era isto tudo e por serem muitas coisas diferentes resultaram naquele aspeto de miúda serena e calma.

Mandei mensagem ao Luis a confirmar as suspeitas e deixamo-nos estar sem manifestar mais nada até estarmos juntos novamente passadas algumas horas. Nas nossas mensagens só havia texto, não havia smiles, emojis, nada que pudesse manisfestar algo mais para além do texto. Acho que esperamos para perceber a reação um do outro pessoalmente. 

Hoje, passado este tempo todo, acho que aquelas sensações todas juntas me fizeram sentir tão pequenina, tão frágil, tão medrosa. Claro que havia um sentimento de felicidade, mas para quem nunca teve muito jeito/paciência para lidar com crianças, a partir dali era (quase) obrigatório passar a ter! A partir dali era da minha criança que se falava. Acima de tudo havia a preocupação para superar esse medo, a todas as jovens mães com que me ia cruzando ia perguntando se não tinham sentido medo... claro que sim! Responderam todas elas! Mas houve quem completasse com uma das frases que mais me marcou até hoje: 

"Não te preocupes! Quando nasce um bebé...nasce uma mãe!"


Hoje nasceu a Matilde e a mãe da Matilde!
#acarlinhajáémãe

"Calças brancas em Janeiro ou é tolo ou não tem dinheiro!"
Ouço isto desde miúda, mas acabo por não ligar. Uso aquilo que me apetece, em que altura do ano for, desde que me sinta confortável. Eu gosto mais de pensar que aquilo que estamos a usar diz mais sobre como nos estamos a sentir do que propriamente sobre as nossas poupanças!

Agora olho para trás e vejo o quanto mudei desde que engravidei: tornei-me mais exigente e ao mesmo tempo mais relaxada. Pode parecer contraditório, mas o que eu quero dizer com isto é que me tornei mais exigente com o meu bem estar e que a minha maior preocupação era não ter muitas preocupações. Então tive de tomar algumas atitudes para que conseguisse estar nesse ponto neste momento.
Com o evoluir da gravidez fui muito mais exigente com a forma com que "gasto" o meu tempo e com quem está presente na minha vida. Evitei e afastei-me de pessoas que não me transmitiam boas energias e que faziam com que me sentisse "cansada". Preferia estar um dia inteiro sozinha e em paz, do que 20minutos com pessoas tóxicas e negativas. Só assim cheguei ao meu ponto de equilíbrio e só assim cheguei ao ponto de estar tão tranquila e de usar branco e bege durante quase todo o mês de Janeiro e últimas semanas da gravidez. Apesar da barriga estar cada vez maior e do aumento de peso característico desta fase final da gravidez, tenho-me sentido "mais leve". Tenho-me sentido super tranquila, relaxada e nada ansiosa (para contrariar o que toda a gente diz).

Sem sequer programar nada, vesti-me assim para ir ter com as "titis mai lindas" para o último brunch enquanto a Matilde ainda está na barriga. (Provavelmente o próximo look que partilhar por aqui já vai ser a empurrar o carrinho, um pijama ou um look baby!)
A vantagem é que este look todo não chegou a 50€ pois foi tudo comprado em saldos! #adorosaldos












Túnica: H&M
Calças: Sfera
Mala: Vila Nova
Sapatos: Zara

Fotografias: Joana Cardoso

Lembram-se deste post que escrevi sobre as coisas boas da gravidez?

Um dos pontos era: "Aprendi a gostar de mim" e disse-vos que falaria disso noutro post. Pois bem, é hoje! Hoje vão ficar a saber como é que isso passou a acontecer.

Por muito que nos digam "És linda!" ou "Estás tão gira!" nem sempre é fácil acreditar no que ouvimos. Por mil e um motivos, vamos simplesmente ignorar o que acabamos de ouvir, vamos desacreditar e fazer de conta que os elogios não aconteceram. Agora chega de falar no plural e de incluir toda a gente aqui. Vou falar na 1ª pessoa do singular, EU, vou falar por mim!

Passar a gostar de mim levou tempo! Não foi de um dia para o outro. Também não quer dizer que me tenha odiado, ou que precisasse de mudar o meu corpo ou, em último caso, que isso só fosse possível com a gravidez. Quando falo em gostar de mim, falo em gostar não só do que vejo ao espelho mas também daquilo que não vejo e que muitos de vocês não conseguirão nunca ver. Falo em gostar de quem eu sou com todas as minhas qualidades e também com os meus defeitos ou características que fazem parte de mim mas que não agradam toda a gente. Não falo em perfeição. Isso não existe!

Para gostar de mim foi preciso afastar-me de mim e dos meus pensamentos cada vez que ouvia um elogio e não concordava com ele. Não sei onde fui buscar esta ideia, mas um dia lembrei-me que depois de ouvir um elogio com o qual não concordava, tinha de me pôr na pele da outra pessoa e tentar perceber o que é que a levou a dizer aquilo. Seja um "foi muito amável" ou um "obrigada pela simpatia".
Dei conta que na maioria das vezes subvalorizava isso porque achava que esse era o meu dever, a minha obrigação. Não é! Efetivamente eu não tenho de ser simpática, nem amável, nem disponível, nem prestável com ninguém. Às vezes eu não fazia nada de especial e estava a cumprir com o meu papel/com o meu dever, mas o que é certo, é que o fazia com prazer e com um sorriso nos lábios e era aí que recebia esses elogios e sorrisos.
Dei conta que quando estava de cara fechada mesmo que não estivesse chateada, também não recebia sorrisos de volta.
Dei conta que com o sorriso em modo off, não atraía pessoas positivas e sorridentes.
Por isso decidi ser uma pessoa mais positiva e dar-me ao luxo de permitir apenas pessoas igualmente positivas ao meu redor. Acreditem que luxo está a negrito porque é isso mesmo: Um luxo! E nem sempre isso é possível. Contudo, temos de fazer um esforço para que isso passe a ser mais frequente na nossa vida.

Às vezes os elogios não são tão "vagos" e remetem-se a características fisicas e bem concretas do tipo "Gosto de te ver com essa roupa!" e quando olho ao espelho o que é penso? "Sério? Nota-se bué as minhas regueifas com estas calças de cinta descida, estou com o rabo enorme e com as mamas inchadas. Para não falar que vesti a primeira coisa que apareceu à frente e nem para ir buscar pão isto serve." Pior: pensava sempre que só tinham dito aquilo para me animarem um pouquinho pois sabiam que estava em baixo e então podia ser que resultasse...Mais uma vez passei tentar perceber o porquê desse elogio. Seria a conjugação das peças? das cores? Se calhar o rabo não está assim tão grande e as mamas inchadas até ficam melhor com esta roupita porque no fundo até davam mais forma. Em vez de duvidar a veracidade dos elogios, passei a aceitá-los. 

Às vezes questionava: "Porque é que dizes isso?" - Foi importante no início para me conseguir focar naquilo que as outras pessoas viam e eu não!

Tive de trabalhar alguns aspectos menos bons, mas há coisas que efetivamente não se conseguem apagar e que fazem meeeeesmo parte de nós. Tentando minimizar estragos e aceitando! #AceitaQueDóiMenos
Por exemplo: Eu sei que sou muito resmungona e que tenho sempre resposta pronta e que 90% das vezes respondo sem pensar naquilo que vou dizer e na forma como o vou dizer. A esta característica (resmungona) está diretamente ligada uma série de outras: espontânea, sincera, natural... É aqui que se torna difícil balançar todas elas e fazer com que a resmungona não se sobreponha de forma negativa às outras todas. Não vou deixar de o ser. Mas tentei minimizar isso: não em quantidade de vezes que acontece, mas na forma como falo cada vez que resmungo.

É difícil?
É! Muito difícil! Mais difícil ainda porque "resmungona" não é o meu único aspecto a melhorar. Mas também não é um trabalho para ficar feito do dia para a noite, nem numa semana... É para ir fazendo durante a vida.

No meio do caminho "obriguei-me" a tomar algumas atitudes que podem parecer estúpidas como: sorrir para o espelho, dizer a mim própria "és mesmo gata", ter conversas de desabafos comigo mesma como se o "eu mesma" fosse outra pessoa e em que essa "eu mesma = outra pessoa" contrariava aquilo que eu dizia e me mostrava que estava errada. Dei conta que eu posso ser a minha melhor amiga em vez de estar constantemente a pôr obstáculos à minha frente. (E acreditem que nós conseguimos ser mesmo muito crueis conosco!)
Basicamente foi isto. Provavelmente não há ciência comprovada nos métodos por mim utilizados, mas enquanto a Matilde esteve/estava (e ainda está) no forno, não podia ser só a barriga a crescer, não é verdade? Há que crescer por dentro também!
Só não anda informado quem não quer! Hoje em dia está tudo à distância de meia duzia de clicks, certo? CERTO!
Tal como vocês viram neste vídeo, também eu recorri às mais variadas aplicações para smartphones sobre gravidez. Principalmente no início, depois acabei por desistir da ideia. No entanto, sempre que eu falar em aplicações pensem que também podemos assumir o termo sites de gravidez/maternidade. É incrível a quantidade de informação que se encontra nestas fontes. Basicamente podemos saber de dia para dia como está a evoluir o crescimento da nossa criança, as alterações no nosso corpo, e até na nossa vida.
Uma vez ouvi: "O normal é correr bem!" por isso, nessas aplicações, além de nos informarem sobre as situações normais, também nos informam de coisas que poderão acontecer que fogem à normalidade.

Qual é o problema? É que a dada altura, as coisas passam a acontecer naturalmente porque assumem que a culpa é das hormonas! O problema é que estas aplicações/sites são usados e consultados a maioria das vezes apenas pelas grávidas e quando muito pelos pais do bebé... Raramente são usados por quem não está a atravessar uma gravidez.
Li que " Os altos e baixos no humor costumam ser mais pronunciados nas 12 primeiras semanas da gravidez. Eles tendem a diminuir à medida que seu corpo se adapta ao bombardeio hormonal a que é submetido. 
Mas no finalzinho da gravidez, com a ansiedade da aproximação da "hora H" do parto, as lágrimas podem voltar a ser suas companheiras fiéis."
Reparem bem que a culpa ou é das hormonas ou nossa que já não sabemos lidar com a ansiedade! 
No meu caso, eu não me senti chorona, nem impaciente nessas tais primeiras semanas, da mesma forma que não me sinto ansiosa por estar cada dia mais próximo de conhecer a minha Matilde! (Enquanto eu estiver relativamente confortável com ela dentro da barriga, sei que lá é o melhor sítio para ela estar.) Lembro-me que estive mais de 15 dias sem conseguir dormir mais do que 1hora por noite e isso se refletiu em cansaço extremo pois nunca deixei de trabalhar. Sei que essa foi a única fase em que queria paz e sossego, queria tirar sestas durante a tarde e toda a gente se lembrava de ligar, de tocar à campainha, de tentar marcar cenas para fazer, que essas cenas eram depois desmarcadas à última da hora e que o telefone tocava por tudo e por nada inclusive para me dizerem "ah não era pra ti que queria ligar!" Conseguem imaginar o meu pânico? Não, não conseguem! Vi-me obrigada a desligar o telemóvel, a pôr contactos na lista de rejeições, a responder a mensagens quando passassem mais de 48horas depois de recebidas. Vi-me obrigada a pôr umas reticências nas relações interpessoais quando a vontade era pôr alguns pontos finais!

E se eu vos disser que a culpa para a nossa falta de paciência não é só nossa, nem das nossas hormonas? É DAS PESSOAS em geral, quer estejam grávidas ou não!
Quantas vezes senti que estava a falar chinês?!
Quantas vezes senti que estava a explicar as coisas como se fosse uma simples soma de 2+2 ser igual a 4 e as pessoas insistirem comigo que era igual a 5 ou 7 ou zero?!
Quantas vezes revirei os olhos por já não ter mais hipóteses de explicar de forma simples aquilo que estava a dizer?!
Quantas vezes bufei por ter consciência que acabei de dizer "x coisa" e as pessoas voltavam-me a dizer coisas como se eu não tivesse dito "x coisa"!
Quantas vezes eu fiquei em silêncio só para evitar mais uma discussãozinha da treta que no fim se resume a ver quem tem razão?!


Bonito bonito era haver uma aplicação que dissesse que as pessoas simplesmente são parvas e estúpidas! 

Por favor não teimem com uma grávida! Já sabem que teimar com uma mulher pode levar qualquer um ao limite...quanto mais com uma grávida?! Respeitem se ela vos diz que está tudo bem! Lá por estar grávida não quer dizer que tenha de estar alguma coisa mal. Se ela não demonstra interesse em marcar qualquer coisa convosco é porque não tem mesmo interesse em estar convosco. Não adianta tentarem arranjar diferentes programas (desde um café, a uma ida às compras ou um passeio pela praia) provavelmente ela não quer a vossa companhia. Ah, e não apareçam só no último mês da gravidez à espera de serem reconhecidos como "a pessoa que mais ajudou e mais esteve presente"! Lembrem-se que nessa altura já está tudo pronto e que a única coisa que vocês vão fazer é impedir o descanso dela, vão destabilizar ainda mais o seu ritmo por isso, mantenham-se onde sempre estiveram...

(Não pensem que só escrevo em jeito de muro das lamentações, também já vos mostrei tanta coisinha boa da gravidez!)

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