Sobre... (in)sensibilidade | #acarlinhavaisermãe

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No meio desta coisa toda que uma pessoa vai vivendo a que se chama gravidez, há coisas que vão acontecendo à nossa volta e que nos deixam a pensar. Pelo menos a mim deixaram. Num dos primeiros vídeos que fiz sobre o assunto disse que a minha "maior preocupação" era ter o mínimo de preocupações. Queria ser uma mãe descontraída, usufruir daquilo que é suposto ser uma benção e um dos momentos mais felizes da nossa vida.
No meio das atualizações do feed dos meus amigos, de quem vai partilhando histórias sobre ser-se mãe, já sabia que o futuro bebé (depois de nascer) ia ser o centro das atenções.
Já me estava a preparar para que me começassem a chamar "Mãe da Matilde" em vez de "Carla", já sabia que os "Olá, tudo bem?" iam passar a ser: "Então e a bebé?", já estava a contar com isso tudo mas não me estava a preocupar nada com isso! Interiorizei que faz parte e que provavelmente sempre foi assim!
Contudo, nunca pensei que as pessoas pudessem ser tão insensíveis durante o período em que a mãe está grávida. Nunca pensei que a "perda de identidade" pudesse ser tão precoce e que a criança pudesse "roubar" as atenções tão cedo.

Talvez devido ao grande atraso no meu despertador maternal, ou da minha pouca apetência e paixão por crianças ou até porque no meu círculo de amigos o tema "maternidade/paternidade" demorou a chegar eu sei que nunca fui assim: "Como está o bebé?" antes ou, pior que isso, em vez de "Como está a mãe?".
O facto de estar a escrever sobre este assunto não se deve só ao ter vivido isto, mas por perceber que é uma realidade tão frequente na vida de tantas grávidas. Ao escrever sobre isto, espero que estas coisas deixem de ser tão visíveis, no fundo isto é uma chamada de atenção se quiserem ver as coisas desta forma.

As pessoas não questionam se a mãe está bem, se a mãe precisa de alguma coisa, de algum cuidado extra ou até de mimo. (E não me venham dizer que mimo é o que as pré-mamãs mais têm porque não é!) Independentemente de ser ou não uma gravidez aparentemente normal e sem complicações, independentemente de ser ou não a primeira gravidez...percebi que cada gravidez é uma gravidez. Aquilo pelo que passamos durante estes meses, por muito normal que seja, deixa marcas... (e não estou a falar das estrias)... deixa marcas na nossa memória para sempre.

Toda a gente quer saber como correu a consulta ou a ecografia. Mas o que é que perguntam?:
 "Então e o que é que médico disse sobre o bebé?"
"Está tudo bem com ele?"
"Já sabes o sexo?"
"Quanto pesa?"
"Tem quantas semanas?"
"Nasce quando?"

Esquecem-se de perguntar:
"Então e tu como estás?"
"Tens-te sentido bem?"
"Precisas de alguma coisa que eu possa ajudar?"

Pode haver coisas que nem vocês, nem ninguém possa fazer, mas só por terem 2 ouvidos e 1 boca pode ser suficiente para uns momentos em que mamã possa falar, desabafar ou até tirar algumas dúvidas e peso de cima dos seus ombros.

Lembrem-se que o bem estar da mãe é essencial para o bem estar da criança! Pensem duas vezes antes de fazerem conversa de circunstância. Se não estão interessados então nem questionem. Mas se são próximos e se realmente querem continuar a ser... então deixem de ser insensíveis!
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