"Quando nasce um bebé...nasce uma mãe!" | #acarlinhavaisermãe

"Quando nasce um bebé...nasce uma mãe!" | #acarlinhavaisermãe

Durante quase 30 anos adoras café! O sabor, o cheirinho a café acabado de fazer, doces que tenham café, tudo!

Certo dia, depois do teu namorado ter tomado o seu café habitual e te perguntar qualquer coisa, a primeira coisa que fazes é: enrugar a testa, piscar os olhos com repúdio, afastar-te e dizer: 
"Que cheiro a café Luis...que nojo!" e corres para a casa de banho para ires vomitar.

E assim começaram as suspeitas de que talvez se estivesse a passar algo contigo: uma possível gravidez!

Se acham que houve pulos de alegria, sorrisos de orelha a orelha e foguetes imaginários, desculpem lá desiludir-vos, mas NÃO!
Confesso que nesse dia nem fiquei muito alerta, confesso que as suspeitas só se fizeram sentir uns dias depois, quase como se se tratasse de uma soma de vários acontecimentos que até então não eram "normais". E depois das contas feitas, faz-se o teste para se ter a certeza.

Nem deu positivo, nem deu negativo. Claro que estas coisas tinham de ter emoção. Por isso, quanto mais incertezas e dúvidas provocar, mais emocionante fica a história, não é verdade? (Tinha de haver suspense.)

Não descartamos a possibilidade de estar grávida, mas também não festejamos que nem loucos. Há que conter os ânimos...afinal, não havia certezas de nada!

Próximo passo: ir ao médico!
Entrei no consultório, o médico de serviço não tira os olhos do computador enquanto me pergunta o que me dói e do que me queixo. Só consegui chamar a atenção dele quando lhe disse que não me doía nada, nem tinha intenções de me queixar de nada. O mundo dele parou por breves instantes. Percebeu que se calhar era melhor tirar os olhos do computador e  olhar para mim. Antes de pegar em qualquer coisa, "mediu-me" de alto a baixo com o olhar com uma das sobrancelhas levantadas e  perguntou "Então, porque veio à consulta?" ao que eu respondi: "Eu acho que estou grávida. Mas o resultado do teste não foi concreto!" Ele lá tomou as providências necessárias para que, praticamente naquele momento ficássemos com as certezas dum Sim ou dum Não. 

"É! CONFIRMA-SE! ESTÁ GRÁVIDA CARLA! ESTÁ MEEESMOO GRÁVIDA! 
ESTÁ SIM CARLA!"

Tenho estas frases como um eco na minha cabeça até hoje. O médico estava como que a festejar, a celebrar e a dar pulos de alegria só com a voz! Eu mantive-me como tinha entrado. Serena...ou...aparentemente serena e calma. Por dentro sentia-me a tremer. Não percebia o que estava a sentir. Não conseguia distinguir se aquilo era felicidade, se era medo, gritos de alegria em mute ou pânico. Provavelmente era isto tudo e por serem muitas coisas diferentes resultaram naquele aspeto de miúda serena e calma.

Mandei mensagem ao Luis a confirmar as suspeitas e deixamo-nos estar sem manifestar mais nada até estarmos juntos novamente passadas algumas horas. Nas nossas mensagens só havia texto, não havia smiles, emojis, nada que pudesse manisfestar algo mais para além do texto. Acho que esperamos para perceber a reação um do outro pessoalmente. 

Hoje, passado este tempo todo, acho que aquelas sensações todas juntas me fizeram sentir tão pequenina, tão frágil, tão medrosa. Claro que havia um sentimento de felicidade, mas para quem nunca teve muito jeito/paciência para lidar com crianças, a partir dali era (quase) obrigatório passar a ter! A partir dali era da minha criança que se falava. Acima de tudo havia a preocupação para superar esse medo, a todas as jovens mães com que me ia cruzando ia perguntando se não tinham sentido medo... claro que sim! Responderam todas elas! Mas houve quem completasse com uma das frases que mais me marcou até hoje: 

"Não te preocupes! Quando nasce um bebé...nasce uma mãe!"


Hoje nasceu a Matilde e a mãe da Matilde!
#acarlinhajáémãe

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