*Aprendi a gostar de mim

*Aprendi a gostar de mim


Lembram-se deste post que escrevi sobre as coisas boas da gravidez?

Um dos pontos era: "Aprendi a gostar de mim" e disse-vos que falaria disso noutro post. Pois bem, é hoje! Hoje vão ficar a saber como é que isso passou a acontecer.

Por muito que nos digam "És linda!" ou "Estás tão gira!" nem sempre é fácil acreditar no que ouvimos. Por mil e um motivos, vamos simplesmente ignorar o que acabamos de ouvir, vamos desacreditar e fazer de conta que os elogios não aconteceram. Agora chega de falar no plural e de incluir toda a gente aqui. Vou falar na 1ª pessoa do singular, EU, vou falar por mim!

Passar a gostar de mim levou tempo! Não foi de um dia para o outro. Também não quer dizer que me tenha odiado, ou que precisasse de mudar o meu corpo ou, em último caso, que isso só fosse possível com a gravidez. Quando falo em gostar de mim, falo em gostar não só do que vejo ao espelho mas também daquilo que não vejo e que muitos de vocês não conseguirão nunca ver. Falo em gostar de quem eu sou com todas as minhas qualidades e também com os meus defeitos ou características que fazem parte de mim mas que não agradam toda a gente. Não falo em perfeição. Isso não existe!

Para gostar de mim foi preciso afastar-me de mim e dos meus pensamentos cada vez que ouvia um elogio e não concordava com ele. Não sei onde fui buscar esta ideia, mas um dia lembrei-me que depois de ouvir um elogio com o qual não concordava, tinha de me pôr na pele da outra pessoa e tentar perceber o que é que a levou a dizer aquilo. Seja um "foi muito amável" ou um "obrigada pela simpatia".
Dei conta que na maioria das vezes subvalorizava isso porque achava que esse era o meu dever, a minha obrigação. Não é! Efetivamente eu não tenho de ser simpática, nem amável, nem disponível, nem prestável com ninguém. Às vezes eu não fazia nada de especial e estava a cumprir com o meu papel/com o meu dever, mas o que é certo, é que o fazia com prazer e com um sorriso nos lábios e era aí que recebia esses elogios e sorrisos.
Dei conta que quando estava de cara fechada mesmo que não estivesse chateada, também não recebia sorrisos de volta.
Dei conta que com o sorriso em modo off, não atraía pessoas positivas e sorridentes.
Por isso decidi ser uma pessoa mais positiva e dar-me ao luxo de permitir apenas pessoas igualmente positivas ao meu redor. Acreditem que luxo está a negrito porque é isso mesmo: Um luxo! E nem sempre isso é possível. Contudo, temos de fazer um esforço para que isso passe a ser mais frequente na nossa vida.

Às vezes os elogios não são tão "vagos" e remetem-se a características fisicas e bem concretas do tipo "Gosto de te ver com essa roupa!" e quando olho ao espelho o que é penso? "Sério? Nota-se bué as minhas regueifas com estas calças de cinta descida, estou com o rabo enorme e com as mamas inchadas. Para não falar que vesti a primeira coisa que apareceu à frente e nem para ir buscar pão isto serve." Pior: pensava sempre que só tinham dito aquilo para me animarem um pouquinho pois sabiam que estava em baixo e então podia ser que resultasse...Mais uma vez passei tentar perceber o porquê desse elogio. Seria a conjugação das peças? das cores? Se calhar o rabo não está assim tão grande e as mamas inchadas até ficam melhor com esta roupita porque no fundo até davam mais forma. Em vez de duvidar a veracidade dos elogios, passei a aceitá-los. 

Às vezes questionava: "Porque é que dizes isso?" - Foi importante no início para me conseguir focar naquilo que as outras pessoas viam e eu não!

Tive de trabalhar alguns aspectos menos bons, mas há coisas que efetivamente não se conseguem apagar e que fazem meeeeesmo parte de nós. Tentando minimizar estragos e aceitando! #AceitaQueDóiMenos
Por exemplo: Eu sei que sou muito resmungona e que tenho sempre resposta pronta e que 90% das vezes respondo sem pensar naquilo que vou dizer e na forma como o vou dizer. A esta característica (resmungona) está diretamente ligada uma série de outras: espontânea, sincera, natural... É aqui que se torna difícil balançar todas elas e fazer com que a resmungona não se sobreponha de forma negativa às outras todas. Não vou deixar de o ser. Mas tentei minimizar isso: não em quantidade de vezes que acontece, mas na forma como falo cada vez que resmungo.

É difícil?
É! Muito difícil! Mais difícil ainda porque "resmungona" não é o meu único aspecto a melhorar. Mas também não é um trabalho para ficar feito do dia para a noite, nem numa semana... É para ir fazendo durante a vida.

No meio do caminho "obriguei-me" a tomar algumas atitudes que podem parecer estúpidas como: sorrir para o espelho, dizer a mim própria "és mesmo gata", ter conversas de desabafos comigo mesma como se o "eu mesma" fosse outra pessoa e em que essa "eu mesma = outra pessoa" contrariava aquilo que eu dizia e me mostrava que estava errada. Dei conta que eu posso ser a minha melhor amiga em vez de estar constantemente a pôr obstáculos à minha frente. (E acreditem que nós conseguimos ser mesmo muito crueis conosco!)
Basicamente foi isto. Provavelmente não há ciência comprovada nos métodos por mim utilizados, mas enquanto a Matilde esteve/estava (e ainda está) no forno, não podia ser só a barriga a crescer, não é verdade? Há que crescer por dentro também!
Next PostNewer Post Previous PostOlder Post Home