53 (milhões de) sorrisos!

53 (milhões de) sorrisos!

Se és Jovem vai chamar a tua mãe antes de continuares a ler!
Se a tua mãe não está contigo, arranja uma maneira para que ela veja este post!
Se não é assim tão jovem, pode seguir já para o parágrafo seguinte.

Há 53 anos atrás, numa "terrinha" do concelho de Santa Maria da Feira, nasceu uma menina, de seu nome Lucília, ou como a maioria das pessoas a conhece "Cila", "Cilinha" para os meus amigos!

Eu ainda só tenho 28, e é à minha mãe que devo muito do que sou hoje! Não é bem devo... é mais: é a minha mãe a quem agradeço tudo o que ela me ensinou, e o que ela não me ensinou também! Acredito piamente que há 50 anos atrás ninguém imaginava as transformações que a sociedade ia ter, as mudanças que "nós" sofremos (in)voluntariamente.
É claro que a vida ensina-nos, mas as nossas mães ensinam-nos mais e melhor, certo? Claro que às vezes lá dizemos "tá bem, tá bem", como se não estivéssemos a prestar atenção ao que elas dizem, mas o que elas dizem fica bem guardado aqui dentro!
Não quer dizer que elas tenham sempre razão! Às vezes temos mesmo de lhes mostrar que estão redondamente enganadas. Às vezes parece que temos de ser nós filhos a dizer "Anda cá e escuta o que tenho para te dizer" e com o olhar delas percebemos que elas estão-nos a dar a resposta que tantas vezes demos: "tá bem, tá bem"! Entra a 100 mas sai a 200!

Mas não é por isso que elas deixam de ser as melhores mães do mundo!
Não é por isso que deixam de ser lindas aos nosso olhos! Claro que, aos meus olhos, às minhas mãos e aos meus pincéis, ela pode sempre ficar maaaaaaiiiisss linda e foi isso que fiz!

Nós somos capazes de fazer de tudo pelas nossas mães, fazemos de tudo por um sorriso! Eu sou capaz de dizer piadas, dizer asneiras, apresentá-la aos meus amigos, falar ao telemóvel com ela em voz alta à frente deles e de repente ela já não sabe se está a falar com a Carla, com a Marta, com o Luis ou com o André. De repente ela não sabe se o André que está a falar com ela é o "André da Marta" ou o "André irmão do Tiago". Sou capaz de estar dias sem lhe ligar e sou capaz de estar horas ao telefone com ela (mesmo que seja só o somatório dos minutos que gastamos ao fim dum mês). Pelo sorriso dela, não fiz grande estrilho quando ela partilhou fotos minhas de quando era criança com os meus amigos (e não foi só uma! Acreditem!), ou quando ela me identifica em fotos antigas no facebook, aquelas fotos que nós já só pedimos que ninguém nos reconheça e se lembre que "era eu/eu era assim".

Mas...continuando...vamos para a parte em que "aos meus olhos, às minhas mãos e aos meus pincéis, ela pode sempre ficar maaaaaaiiiisss linda e foi isso que fiz!"

Ela pediu-me para lhe dar um jeitinho! [Para quem não sabe: Eu não dou jeitinhos!] E eu disse-lhe: "Tá bem, tá bem, senta aqui!" Ela só queria que mexesse nas sobrancelhas e tapasse as vermelhidões! Se eu não lhe fizesse mais nada, com toda a certeza que ela ia agradecer, mas não ia adorar, não se ia sentir confiante e muito menos sorrir!

Teve direito a tudo:
Primer, base, corretor, iluminador, blush, bronzer, primer de sombras, sombra iluminadora no canto interno, sombra na pálpebra móvel, na linha orbicular, no arco das sobrancelhas, na linha inferior de pestanas, pestanas falsas individuais, máscara de pestanas, correção e definição de sobrancelhas, lápis de contorno de olhos, lápis de contorno de lábios, baton e fixador!

Se no início dizia: "ah já está bom, não é preciso mais nada, tenho de me despachar!" , com o avançar da maquilhagem ela já estava sossegadinha, com um sorriso no rosto, a sentir-se melhor, mais bonita e a dizer que estava a adorar!


Não lhe tirei as rugas, mas resgatei-lhe um sorriso!
Quero com isto dizer que a Autoestima não é assunto para se levar com leveza! A Autoconfiança também não! E que a vaidade não tem idade! E que a vaidade não é futilidade!

É claro que a minha mãe teve direito a tudo, e a ainda mais, mas o que eu quero mostrar é que são pequenos passos, pequenos gestos que fazem uma diferença enorme não só na forma como os outros olham para nós, mas na forma como nós próprios nos olhamos ao espelho. Mais do que isso, na forma como nós olhamos para o espelho e nos vemos por dentro!

Ser filha desta mulher é saber quando ela olha para o espelho e consegue ver mais do que o que eu vejo, do que o que eu fiz! Ser filha da "Cilinha" é saber que eu sou vaidosa, mas ela também o é! Pode não andar toda empiriquitada no dia a dia como eu a deixei, mas sei que todos os dias ela se preocupa em preencher as sobrancelhas, aplicar máscara de pestanas e um pouco de baton. Acima de tudo sei que todos os dias a Cila se preocupa em sorrir para os outros porque tudo o que fez antes a deixa sentir-se melhor!

Todos nós podemos ser melhores, todos nós podemos fazer coisas para que nos sintamos melhor, todos nós podemos fazer com que os outros se sintam melhor... Por isso hoje, eu espero que a minha mãe não me ligue em lágrimas depois de ler isto pois ainda não pensei na piada que lhe vou dizer para ela parar de chorar! Por isso eu hoje, espero que estas palavras não sejam só para a minha mãe! Por isso eu hoje, espero que as vossas mães façam também 53 anos e que se revejam na pequena história que vos contei!

Por isso a partir de hoje eu quero que haja mais "Cilinhas" por aí!

Parabéns Mãe!
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